
Era um edifício de cinco andares. Subiu apenas um lance de escada quando sentiu que havia alguém a observando. Ela queria somente o vazio, o silêncio que a deixava menos angustiada, a calmaria de um dia de outono e a esperança de dias melhores. Percebeu que devia voltar para o espaço real, agora a quantidade de pessoas ao seu redor a deixava inquieta. Era pra ser um ambiente calmo e hostil, mas tornava-se cada vez mais turbulento. Ela ouvia algo que realmente a assustava e se sentia observada novamente, apesar de agora de uma forma diferente. A maioria ali estava voltada para um pequeno monstro que contava histórias e acabava não atentando para a diversidade de cores do ambiente que naquele dia era tão ínfima, tão acanhada.
De repente ela não estava mais ali, o mundo paralelo a tragava e ela voltava a sentir um clima frio que a fazia feliz. A cabeça tomada de pensamentos comuns e a imagem de alguém refletida na porta de entrada (de vidro) de algum vizinho. Nada foi falado, mas se conheciam apesar de não saber de onde. O coração dela batia mais forte e os olhos ficavam cada vez mais cheios d'água e expressivos. Alguém a chamou atenção e ela caiu naquela multidão que agora estava mais branda e definitivamente fazia menos barulho. Ela não conseguia voltar e tentar subir outro lance de escada, o movimento do local volta a acelerar e as pessoas começam a se mexer. Falta pouco mais de cinco minutos para o monstro contador de histórias ir embora e ainda é difícil o espaço fechar para o encontro continuar...


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