Ela tem uma vida boa, sente-se privilegiada e diferente dos demais. Todos os dias ela acorda e sai de casa, ela vive ao redor de pessoas boas, com os corações maiores que se tem notícia. Às vezes eu imagino que ela não conseguiria viver em outro lugar. E hoje ela não queria magoar ninguém...
Ela é dedicada e atenciosa na maioria das vezes, ela gosta de agradar e fazer "surpresas". As pessoas que ela ama são pessoas sortudas, pois ela ama com o coração e faz uso do sentimento mais puro que pode existir, por esse motivo às vezes erra, se magoa, fica triste sem reais motivos. Às vezes ela acha que podiam ser mais atenciosas essas pessoas, e apesar de saber que o certo é fazer sem esperar nada em retribuição, o mundo não funciona assim. As pessoas cada dia querem mais e não se contentam com o que é apenas necessário, é preciso o maior amor, o mais lindo jantar a luz de velas, as mais bonitas e inesperadas declarações. Ela sabe e não é isso que quer, às vezes é só um pouco de atenção, saber que o outro tem sim medo de perder e que isso é normal, e que ela sente isso às vezes.
Hoje ela apenas não queria magoar ninguém.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
"Hoje eu tive medo de acordar de um sonho lindo/Sensível demais, eu sou um alguém que chora"...
terça-feira, 15 de abril de 2008
"Era um dia de inverno quando você chegou, e se não fosse teu abraço compraria um moleton"...

Apesar de o dia não ter sido de inverno (na verdade foi em pleno e fervoroso verão), se não existisse aquele abraço que ela tanto esperava a solução seria se pegar ao mais felpudo casaco que encontrasse pela frente.
[Dia 1] Não imaginavam se conhecer e realmente não se encontrariam por acaso. Será que existe acaso? Um encontro em plena avenida. Ele numa bicicleta, e ela recém saída de uma auto escola. Um acidente de trânsito, um rapaz estranho. E os dois rapazes se conheciam por incrível que pareça. Um ou dois amigos em comum, um bar e algumas cervejas. Nada além...
[Dia 2] Uma festa popular, muitas pessoas. Eles se viram novamente, vidas diferentes, gostos opostos, ensaiaram uma dança, conversaram pouco.
[Dia 3] Carro cheio, gente que ela acabara de conhecer. Nos bancos dianteiros o motorista, que até ali não havia escutado nada sobre direção defensiva, e sua namorada. No banco traseiro, dois rapazes parcialmente estranhos, e ela. A viagem perigosa havia acabado e agora embalados por um som que nada lembrava romantismo eles foram se aproximando e se conhecendo e ficando mais perto um do outro. E foi assim que aconteceu. De repente surgiu uma frase que por pouco não coube naquele momento "Foi assim que a conheci. Naquele dia junto ao mar..." Sim, o mar estava próximo, e eles se conheceram, mas não havia conto de fadas. A noite foi boa e eles voltaram juntos.
[Dia 4] Eles talvez não estivessem mais juntos amanhã. Ele sairia de férias e ela seguiria a vida normal.
[Dia 6] Um recadinho descomprometido chegou na caixa de mensagem dela quando ela menos esperava. O bilhete trazia notícias de alguém que ela achava que não mais encontraria.
[Um mês depois] Ele voltou de férias e ela o encontrou...
O tempo ia passando e eles se encontravam, se conheciam, percebiam que não tinham muita coisa em comum, ouviam músicas diferentes, gostavam de roupas e estilos diferentes, freqüentavam lugares diferentes e tantas outras coisas mais. E ainda sim não desistiam de se ver. Ela gostava dele e ele gostava dela, da forma dos dois, de uma forma só deles. E isso era o que importava.
[Três meses depois] Eles decidiram que ficariam juntos e no dia 14/05/05 Começaram a namorar.
Eles não têm uma história de amor com venturas ou desventuras. Eles não precisaram mover mundos e fundos pra agradar, salvar ou resgatar o sentimento (pelo menos ainda). Eles não têm uma história como a de Romeu e Julieta, mas existe um sentimento que eles carregam como se fosse a coisa mais preciosa que lhes deram... E por isso se ele não existisse junto com o seu abraço ela definitivamente compraria um moleton!
Hoje faz quase três anos que eles estão juntos. E continuarão até quando eles realmente quiserem...
segunda-feira, 14 de abril de 2008
""Quem dera minha mão, pudesse expressar o que sente meu coração"...(Sete Anos no Tibet)

Era um edifício de cinco andares. Subiu apenas um lance de escada quando sentiu que havia alguém a observando. Ela queria somente o vazio, o silêncio que a deixava menos angustiada, a calmaria de um dia de outono e a esperança de dias melhores. Percebeu que devia voltar para o espaço real, agora a quantidade de pessoas ao seu redor a deixava inquieta. Era pra ser um ambiente calmo e hostil, mas tornava-se cada vez mais turbulento. Ela ouvia algo que realmente a assustava e se sentia observada novamente, apesar de agora de uma forma diferente. A maioria ali estava voltada para um pequeno monstro que contava histórias e acabava não atentando para a diversidade de cores do ambiente que naquele dia era tão ínfima, tão acanhada.
De repente ela não estava mais ali, o mundo paralelo a tragava e ela voltava a sentir um clima frio que a fazia feliz. A cabeça tomada de pensamentos comuns e a imagem de alguém refletida na porta de entrada (de vidro) de algum vizinho. Nada foi falado, mas se conheciam apesar de não saber de onde. O coração dela batia mais forte e os olhos ficavam cada vez mais cheios d'água e expressivos. Alguém a chamou atenção e ela caiu naquela multidão que agora estava mais branda e definitivamente fazia menos barulho. Ela não conseguia voltar e tentar subir outro lance de escada, o movimento do local volta a acelerar e as pessoas começam a se mexer. Falta pouco mais de cinco minutos para o monstro contador de histórias ir embora e ainda é difícil o espaço fechar para o encontro continuar...

